28 julio, 2021

MANOLO DOS SANTOS.

Foi o mais solicitado matador de touros do mundo no ano de 1950. Amante da arte desde criança, criou a “dossantina”, um novo passo de muleta (espada). Do seu vasto currículo consta uma assistência de 100 mil espectadores em Jacarta, na Indonésia, e a actuação, no México, em três corridas no mesmo dia. Ganhou o prestigiado prémio mexicano “Rosa Guadalupana” e em Espanha foi condecorado cavaleiro da Ordem de Isabel, a Católica.

Foi o mais solicitado matador de touros do mundo no ano de 1950. Amante da arte desde criança, criou a “dossantina”, um novo passo de muleta (espada). Do seu vasto currículo consta uma assistência de 100 mil espectadores em Jacarta, na Indonésia, e a actuação, no México, em três corridas no mesmo dia. Ganhou o prestigiado prémio mexicano “Rosa Guadalupana” e em Espanha foi condecorado cavaleiro da Ordem de Isabel, a Católica. Em Portugal recebeu, a título póstumo, o grau de comendador da Ordem de Benemerência e a medalha de mérito das Comunidades Portuguesas.
CONTRAIR CONTEÚDO
Quando entrou na praça de touros El Toreo, no México, na tarde de 14 de Dezembro de 1947, Manuel dos Santos foi recebido com expectativa. Naquele dia tomava alternativa de matador de touros, concedida por Fermín Espinosa “Armillita”. Mas não foi bafejado pela sorte. O seu “traje de luces” perdeu o brilho e encheu-se de sangue depois de receber uma violenta cornada. Partiu o fémur e renunciou à alternativa. Só não perdeu o sorriso, como comprova uma fotografia tirada na altura em que era levado da arena. O seu percurso é assim: feito de calor e de alvoroço.
Nascido em Lisboa em 11 de Fevereiro de 1925, Manuel dos Santos recebeu o nome do avô, o toureiro Manuel dos Santos “Passarito”, que o criou na Golegã. O ambiente da terra – a meca da festa brava – e a existência de familiares ligados à arte de tourear fizeram com que se apresentasse em público com apenas 13 anos. Tratava-se apenas de uma vacada, mas chamou a atenção de mestre Patrício Cecílio, que o ensinou.
Faz a sua primeira apresentação como bandarilheiro em Lisboa em 26 de Julho de 1944, mas não abandonou os estudos na Escola Comercial de Tomar. Só em 1946 se deixa levar pela paixão. Parte para Sevilha para tornar realidade o sonho de se converter em matador de touros.
A aventura é bem sucedida e a praça de Badajoz recebe Manuel dos Santos no papel de novilheiro. Naquele dia, 26 de Junho de 1947, corta três orelhas e um rabo aos touros que lhe são apresentados. É levado em ombros por uma multidão rendida. Esta seria a primeira mas não a última exibição em que teria tal efeito no público. Na temporada que se seguiu, actuou em Portugal e em Espanha e em cinco tardes seguidas na praça de Barcelona – sai duas vezes em ombros. Estava lançado.
Em Dezembro de 1947, no El Toreo, sofreu um doloroso revés: partiu o fémur depois de uma cornada violenta. Mas a vontade não esmoreceu e voltou a tomar alternativa de matador em Sevilha, em 15 de Agosto do ano seguinte. Para que não houvesse dúvidas, depois de início tão aziago, confirmou-a em Madrid em Junho de 1949. Nos anos seguintes, andou por Portugal e Espanha, mas também por países da América Latina, como o México, a Colômbia e a Venezuela, onde a herança latina deixara o apreço por esta festa.
O ano de 1950 traz-lhe a consagração e coloca-o ao lado de portugueses tão famosos como Amália e Eusébio. A tourada era, nesta altura, um dos “cartões-de-visita” do País no estrangeiro. “Touros e só / Não há nada / Que uma toirada com mais emoção! / Não há festa com mais cor / Que mais fala ao coração!”, cantava Amália no filme “Sangue Toureiro”, onde contracenava com Diamantino Viseu, outro toureiro famoso na altura.
A celebridade não impediu Manuel dos Santos de ser preso em 1951, quando matou um touro na Praça do Campo Pequeno. Passou a noite na prisão, mas acabou por ser absolvido no julgamento que se seguiu.
Algumas cornadas violentas e duas operações a meniscos provocaram, em 1953, a sua retirada das arenas. O amor pela actividade é, no entanto, maior. Regressa em 1960. Embora com menor frequência, actua até 1972 em algumas corridas e em festivais para beneficência. Nunca deixou de estar ligado à festa brava: explorou a Sociedade Campo Pequeno e outras praças da capital. Criou, ainda, a Ganadaria de Porto Alto, no distrito de Santarém.
Aquele que tinha tantas vezes enfrentado a morte na arena, não a conseguiu evitar ao volante de um automóvel em 18 de Fevereiro de 1973.

Deja un comentario